Literatura
Deixe um comentário

Karen Blixen

5905e6a61738603b9f184bb8c34da152beaton

Fotografada por Cecil Beaton

 Eu, eu sou uma contadora de histórias e nada mais. É a própria história que me interessa, e a maneira de contá-la.

Karen Blixen (1885 – 1962) foi uma dinamarquesa que na virada do século XX tinha 15 anos. Perto dos 30 casou-se com um primo, o barão sueco Bror von Blixen-Finecke,  e foi morar no Quênia. Próxima dos 50 estava divorciada, havia perdido sua fazenda africana e o amor de sua vida, seu amante e depois companheiro, o caçador Denys Finch Hatton, e retornava à sua terra natal vestida de perda. Ela então decidiu escrever.

A identificação imediata, quando se vê um retrato seu em idade avançada e se toma conhecimento de sua vida, é com os seres mágicos do folclore nórdico, seu tamanho, os traços depurados de seu rosto, sua expressão, nos parecem de uma elfa ou uma nisse. Não deixa de ser uma linda premonição poética que ela fosse chamada por Finch Hatton de “Titania” (a rainha das fadas da peça ‘Sonho de uma Noite de Verão’ de Shakespeare), uma  adaptação de seu apelido “Tania”, quando ainda não havia publicado suas histórias. Ela e seu amor adoravam Shakespeare – segundo relata Trumam Capote em um breve perfil, ela lhe disse “Sempre julgo uma pessoa pelo que ela pensa de Rei Lear”.

242a9338e16a718345e11eeee4746402

Fotografada por Richard Avedon

Eu, no entanto, quando li  “O Mergulhador”,  a associei imediatamente a Sherazade. A maneira como ela constrói o enredo, encaixando uma trama dentro da outra, faz com que suas ‘estórias’ se parecam mais com uma imensa rede de narrativas isoladas que se unem de uma maneira quase precária. Assim como as ‘estórias’ das Mil e Uma Noites, elas guardam a semente de uma fabulação infinita,  como se pudessem ser eternamente recriadas e recontadas em variações que nunca se esgotariam: um incomensurável cubo mágico narrativo.

Blixen chegou a escrever alguns contos na juventude com o pseudônimo de Osceola, mas decidiu abandonar a  escrita. Ainda no Quênia, enquanto lutava com sua vida amorosa e com a administração de sua fazenda de café, escreveu ‘A Vingança da Verdade’, publicado na Dinamarca já com seu pseudônimo mais famoso, Isak Dinesen. Em 1934, de volta à terra natal, lança nos Estados Unidos ‘Sete Contos Góticos’. Com a edição de ‘A Fazenda Africana’, a escritora alcança o reconhecimento público.

Rie Nissen

Fotografada por Rie Nissen

O domínio da letra por Blixen, talvez seja resultado do aperfeiçoamento da fala, da ressistência e permanência da cadência da voz, da melodia da oralidade que exercitou ao contar fábulas a seus empregados e amigos  no Quênia. Esse refinamento faz com que sua prosa funcione como uma véu mágico sobre o argumento: as narrativas parecem se contar por si mesmas, dando a impressão que Blixen é um canal para elas, de que ela as transmite diretamente de uma fonte onde estão guardadas todas as histórias ainda não contadas.

“As histórias salvaram seu amor, e as histórias salvaram sua vida depois de ocorrido o  desastre”, disse a seu respeito Hannah Arendt em ensaio do seu ‘Homens em Tempos Sombrios”

KAREN BLIXEN

Fotografada por Rie Nissen

Nós, peixes, repousamos tranquilamente, sustentados de todos os lados, num elemento que o tempo todo, num apuro infalível, ajusta-se por si só. Um elemento que, pode-se dizer, assumiu a responsabilidade por nossa existência pessoal. […] Nossa experiência demonstrou, assim como a sua um dia fará por você, que se pode  muito bem nadar sem esperança, sim senhor, que se nadará ainda melhor sem ela. Logo, também, nosso credo determina que, em nosso caso, toda a esperança é deixada de lado. Não corremos riscos. Pois nossa mudança de lugar na existência nunca cria, ou deixa atrás de si, o que o homem chama de um caminho. […] O homem, no fim, alarma-se com a ideia do tempo e desequilibra-se pelo incessante vagar entre  o passado e o futuro. Os habitantes de um mundo líquido juntaram passado e futuro na máxima: Aprés nous le déluge.

O Mergulhador, Karen Blixen

peter-beard-karen-blixen-in-rungstedlund-denmark-photographs-silver-print-zoom_550_746 (2)

Fotografada por Peter Beard

Karen Blixen – Isak Dinesen editada em português

Anedotas do Destino – Cosac Naif

A Festa de Babette – Cosac Naify

Sete Narrativas Góticas – Cosac Naify

A Fazenda Africana – Cosac Naify

Sobras na Relva – Editora 34

Contos de Inverno – Editora 34 (Esgotado)

karen-blixen-owl1

Fotografada em sua fazenda no Quênia

dce3f0635cd9fc622d9a5e26f58715f0 (2)

Fotografada com leões (adormecidos)

1 (2)

Fotografada na juventude

logo

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s