Cultura
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1973 – 2012 Encantados

IMG00899-20120215-1752Mexendo na estante de minha mãe lá pelos meus sete anos encontrei um livro com fotografias de mulheres de cabeças raspadas e lavadas com sangue de animais; eu ficava vendo o livro escondida. Não tinha medo nenhum, só fascínio. (Aqui cabe um interlúdio para não ficar parecendo que eu era essa menina-macho toda: matar galinha, peru e porco em casa era coisa cotidiana na época e a lida com o sangue não era tabu).  O livro mostrava o ritual de iniciação das iaôs em um terreiro de candomblé de Salvador. As fotos tiradas por José Medeiros.

Iaô (noviça nos candomblés de raiz jeje-nagô) 

Pensando agora, talvez tenha sido o livro responsável em parte por minha vinda – 13 anos depois – para a Bahia. Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Alagoas passei um ano como monitora de Antropologia e arrumei um emprego meio período no Museu de Antropologia e Folclore Téo Brandão. Queria muito fazer mestrado na área. Não fiz, mas nem por isso deixei de virar uma curiosa. Tenho uma boa biblioteca que inclui Bastide, Edison Carneiro,  Manoel Querino, Juana Elbein e até um exemplar raro de Nina Rodrigues. Agora, ir em terreiro e em roça, hum-hum! Respeito demais. A verdade é que tenho fixação por religiões e crenças e acredito em todas elas – antropologicamente. E também sou um caso de esquizóide mística: acho tudo lindo, o ritual, a emoção e entrega das pessoas; fico tão emocionada pelos outros que não sinto nada. Por outro lado fico sempre pensando (racionalmente) que a magia existe e afeta o mundo – e quando falo de magia o digo de forma séria, incluindo a magia cristã, judaica, budista etc.

 Minha sisudez com relação a qualquer assunto relativo a crenças só pode ter vindo de minha formação infantil. Uma avó kardecista, a outra católica; um avô stalinista e chegado ao catimbó (era capixaba),  outro ateu.  Um tio bispo romano e uma babá do batuque. Além disso, meu pai morou muitos anos em Itaparica e costumava me levar a Ponta de Areia. Ficava me contando a história do terreiro dos eguns só para me assustar – logo para uma criança cheia de imaginação, veja só! O livro de Juana Elbein, Os nagô e a morte, é uma jóia para quem quer conhecer mais sobre o assunto.

Há exatos dois dias achei o livro entre as coisas de minha mãe – que está eternamente em trânsito. Fotografei as imagens e pesquisei sobre o autor. Só sabia que o livro tinha sido editado pela finada e grande revista O Cruzeiro no ano de 1957. Neste link do site do Rodrigo Lacerda a história toda.

http://www.rodrigolacerda.com.br/perfil-do-fotografo-jose-medeiros

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