Literatura
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Pedro Páramo

Nada-de-esto-es-sueño.-arrieros-en-un-camino

Melhor do ano até agora foi ter relido Pedro Páramo, do Juan Rulfo. Li tarde Rulfo, só há uns oito anos, por indicação do amigo Paulo Bina, e é o presente que mais dou – é barato e mágico. Gosto muito de reler. Até pouco tempo tinha uma idiossincrasia: todo carnaval eu relia Ivanhoé do Walter Scott e Os Três Mosqueteiros do Dumas pai. Hoje costumo comprar sempre às vésperas da festa uns dois ou três grossos e inofensivos –  com a idade fui ficando dissipada.

Rulfo 1

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Imagen tomada por el escritor, incluida en el libro Tríptico para Juan Rulfo. Los personajes son bailarines de la compañía de danza de Magda Montoya, captados en 1953. Una impresión de esa fotografía, de 1960, en pequeño formato, tiene al reverso indicaciones a lápiz del autor para su publicación en Sucesos, una revista de la época. La obra, que será presentada este jueves en la Casa Universitaria del Libro, se divide en tres capítulos: Poesía, Fotografía y Crític

 

Rulfo 2

Não são todos os livros que provocam o fenômeno de parecerem outros quando os relemos. Os livros de Dumas, de Dickens e os de Fitzgerald e Hemingway  (não há quem me faça deixar de gostar da geração perdida) são sempre deliciosos porque são sempre os mesmos. Mas existem outros (Emily Bronte, Borges, Thomas Hardy, Conrand, Tolstoi) que lidos ao longo da vida sempre parecem novos: as linhas gerais da  história se mantém, mas é como se atrás do livro houvesse outro, outro cheiro, outros cenários, outras almas. Motivações que nos escapavam, um quadro atrás da pintura que descasca.

A primeira vez que li Pedro Páramo o vi como um sonho, ou uma jornada, na qual o protagonista Juan Preciado por algum sortilégio passou a se comunicar com almas do outro mundo; para mim esse mundo era a tragédia do povo mexicano, ou do nordestino, e mesmo depois de me adiantar na história essa ‘sensação’ persistiu. Ao ficar com ele de novo a tragédia de Juan e das entidades que iluminam sua história cedeu lugar à de Páramo.

A imagem que fica não é a da neblina em casas de adobe e nem a da desorientação de quem (Preciado, as mulheres e homens com quem se encontra) tenta desenhar nela um passado – que não pode ser figurado pois sempre careceu de um ‘presente’. O que ficou na última página foi a visão de  uma varanda encharcada de sol, com um homem só, sentado em uma velha cadeira. Alguém que apesar de ter raptado o presente, o passado e o futuro de todos a sua volta encontra-se vazio de tudo, pois tudo o que desejava sempre lhe escapou.

Fiquei sabendo depois que Rulfo era também fotógrafo, deixou um banco de imagens com mais de seis mil negativos. As fotos postadas são dele.

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