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Fluxo 70: O Porteiro da Noite e Os Deuses Malditos

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Proust comeu uma Madeleine. Eu vi a foto da Charlote Rampling aí em cima e desandei. Acho que em matéria de gatilho fiz melhor negócio que ele. O tédio de um domingo e, principalmente, o tédio de fichar um livro em espanhol, uma coisa leva a outra e acabei navegando numa dessas revistas bacanas americanas (Vanity Fair). Hum! Fotos feitas pelo Sammy Davis! E, logo no segundo slide a Charlote aparece – as outras fotos são, também, maravilhosas e, não vou mentir que o Davis era o meu preferido do Rat Pack (Dean é campeão), mas é minha segunda escolha.

O fato é que, vendo essa coisa linda aí de cima me dei conta de vez que fiz este blog só para falar de minha infância (a década de 70). A Charlote fez um monte de filmes bacanas nos 70, lembro da primeira vez que ouvi falar em sadomasoquismo quando li, e vi fotos, sobre o filme O Porteiro da Noite, da Liliana Cavani (ela de cabelo cortadinho, com um quepe e só de calças e suspensórios, numa cela  – pelo menos é assim que me lembro da imagem). O filme, se não me engano, é sobre o nazi-fascismo, ou melhor, sobre a fluidez do conceito de poder.

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O Porteiro da Noite – Liliana Cavani: filme completo dublado em espanhol

Bom, isso me levou direto pra outra lembrança: uma tia minha falando a meia-voz sobre um filme em que um rapaz magrinho transava ‘apulso’ com uma carrasca gorda (só lembro que era italiano e ela o considerava muito sofisticado). Me levou também a uma conexão entre cinema dos 70, coisa em que tenho fixação, filmes sobre nazismo, e sobre como me impresionaram na infância. Assisti Cabaret muito novinha, e na TV. Foi um dos dois únicos filmes que me lembro de ter visto quando morei na França; o outro, numa sessão de domingo com minha avó paterna, foi O morro dos ventos uivantes (meu livro predileto) na versão com a Merle Oberon e o Lawrence Olivier.

Tempos depois, na Sessão Coruja, vi Os Deuses Malditos, do Visconti, em que a Charlote também trabalha. Aí lembrei da Florinda Bolkan, sua colega no filme, e fui pesquisar no Google. Achei o site oficial dela  http://florindabolkan.com/pt/ e pesquei uma foto. Ela vai para meu filho. Ano passado, passeando na Galeria Ouro Fino para achar uma encomenda de pulseiras de rabo de elefante para minha amiga Ivana Braga, entramos numa loja. A dona, uma senhora very seventies, hipongaça e chique.

Eu, querendo impresionar a ela e a meu filho, apontei para um vestido de lantejoulas prateadas e disse num tom casual: “Olha, parece o vestido que a Florinda usou nos Deuses malditos!”. Ao que ela, tranquilamente e sem demonstrar nenhum reconhecimento pela minha ‘cultura’, respondeu: “Não parece. É o mesmo vestido”. E virou-se, sumindo dentro da loja.  Pelo menos impressionei meu filho. Pra você Ian: olha só como ela era gata. É uma atriz cearense que filmou com praticamente todos os diretores europeus que valiam a pena nos anos 60 e 70.

Os Deuses Malditos – Luchino Visconti: cena do casamento onde Florinda dança com Helmut Berger

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