Hammet

Hammett

Quando entrei na faculdade achei em uma revista uma foto do Hammet. Na época não havia internet e a única forma de conseguir imagens era rasgando páginas de revistas ou de livros. Plastifiquei e colei na capa da minha agenda. Os colegas achavam que era meu avô e eu deixava assim (era esquisito explicar que ele era meu modelo de homem, até porque namorava, e depois constitui família, com um cabeludo que era clone do Robert Plant) . Nunca encontrei nenhum homem parecido com ele e não fui menos feliz por isso. Mesmo assim continuei lendo Hammett ao longo da juventude e madureza e recentemente mais, porque lançaram várias pequenas histórias dele em formato pocket. Comprei há uns dias The Thin man, na edição da Companhia das Letras, que editou também A chave de vidro, Seara vermelha e O Falcão Maltes. Hammet é uma boa diversão escapista e me agrada o fato dele ser tudo menos politicamente correto: o cidadão consegue escrever frases como ‘Mulher, cachorro e massa de pão quanto mais se bate melhor ficam’ e não ser nem um pouco machista, no essencial. 

Capa da edição de 1929

Capa da edição de 1929

 Hammett bebia muito e era durão e mulherengo. Era também um livre pensador que se recusava a passar recibo de suas convicções. Não gostava de maneirismos e sua postura era mais a esquerda do que a maior parte dos que se diziam comunistas nos círculos da intelligentsia das costas Leste e Oeste nas décadas de 30, 40 e 50.  Mesmo famoso, e com a saúde fraca, se alistou como soldado raso na segunda guerra e, anos depois, foi para a cadeia porque se recusou a apelar para a quinta emenda quando foi confrontado no Comitê de Atividades Antiamericanas. Na década de 80 saiu por aqui uma biografia muito boa dele, também pela Companhia das Letras, e quem quiser conhecer mais também pode ler os livros da Lilian Hellman (Pentimento, Uma mulher inacabada, Talvez e Caça as bruxas) .

dashiell-hammett-smoking-a-cigarette 

~ por orderfromnoise em Junho 10, 2009.

Uma resposta to “Hammet”

  1. Já li algumas coisas e adoro. Os personagens são fortes e cheios de verdade. Os cenários são nítidos, reais.

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