Life

•Junho 17, 2009 • Deixe um comentário
A grande esperança negra dos 60's depois de King e Malcom X

A grande esperança negra dos 60's depois de King e Malcom X

Gosto de boxe de graça. Deve ter sido resultado das insônias da juventude, época em que a Globo transmitia periodicamente lutas depois do jornal da noite. Não vi Ali lutar, mas lembro dele em matérias da revista Manchete: “Mohamed Ali, ex Cassius Clay”, como sempre reportavam. A época era boa para a fotografia, e para o fotojornalismo em particular – ou então eu prestava mais atenção. Fotos abertas da família real do Irã (com a chata da Farah Diba), de Soraya, a rainha repudiada pelo Xá, fotoreportagens sobre o Vietnã, Watergate, o holocausto (Bloch era um sionista assumido e a Golda Meir vivia aparecendo na revista com aquele rosto estranho que parecia o Ziembiski travestido), as atrizes da moda, aqui e acolá um monte de páginas sobre a transamazônica e as realizações de Médici, Geisel (lembro da filha anódina: Amália Lucy). Voltando a Ali, procurava uma imagem dele outro dia e topei com uma dica sobre o arquivo da revista Life. Costumo passar de vez em quando na Magnum, ou em revistas como a  Vanity Fair para ver fotos, mas nunca tinha pensado em fuçar na Life.  Tanto no site   como na página de hospedagem do Google   dá pra ficar horas navegando.  Lá achei também essa foto ’gente’ da Sophia Loren.

Alfred Eisenstaedt Life 1961 

E também, para homenagear as conversas ramdômicas com Franci e Sora (velocidade, filmete do Lelouch, pabadabadá, pabadabadá Samba Saravá, aquela coisa linda da Anouk), uma da Annouk Aimee.

Bill Eppridge Life

Navegação interior

•Junho 11, 2009 • Deixe um comentário

0003-0-0

Uma vez sonhei que eu me limitava a uma cabeça solta no espaço. Viajando ao lado de outra cabeça e conversando, minha angústia era pensar no que eu faria por toda a eternidade sem o meu corpo. “Agora, vou ter que me virar com o que está dentro e não com o que está fora. O horror!”  

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe1006200901.htm

SABATINA FOLHA
MIGUEL NICOLELIS

União com máquinas vai libertar o cérebro do corpo

Neurocientista brasileiro radicado nos EUA vê sistema nervoso como uma “democracia”

O DESENVOLVIMENTO da neurociência deverá libertar o cérebro do corpo e permitir, por exemplo, que seres humanos explorem o espaço usando máquinas capazes de transmitir movimentos e sensações. A previsão foi feita pelo do neurocientista paulistano Miguel Nicolelis, 48, em sabatina promovida pela Folha anteontem. “Em muito menos de 30 anos, você vai conseguir ter a sua presença à distância”. Diretor do Centro de Neuroengenharia da Universidade Duke (EUA) e do Instituto Internacional de Neurociência de Natal Edmond e Lily Safra, Nicolelis disse também que está “à beira de demonstrar que é balela” a ideia de que o córtex cerebral se divide em áreas.

DA REPORTAGEM LOCAL

O pesquisador é pioneiro no estudo de interações entre cérebro e máquina, e já realizou proezas tecnológicas como fazer um robô no Japão andar impulsionado por ondas cerebrais de uma macaca nos EUA.
O objetivo do trabalho é desenvolver próteses neurais que permita a pessoas paralisadas andarem novamente.
Nicolelis foi entrevistado pelos jornalistas Gilberto Dimenstein, membro do Conselho Editorial da Folha e Hélio Schwartzman, articulista do jornal, e pela neurocientista Suzana Herculano-Houzel, da UFRJ. A mediação foi de Claudio Angelo, editor de Ciência.

 
IMAGEM DO BRASIL
Em 1991, cheguei um dia para dar uma palestra na Califórnia e falei que era da Universidade de São Paulo. Quando terminei de falar, um americano olhou para mim e disse: “Isso é perto de Santa Monica?”
O que vejo [agora] é o Brasil com algumas coisas no centro da agenda científica mundial. O Brasil, nas projeções que vi, vai se transformar no grande celeiro do mundo, tem a biodiversidade, a possibilidade de ser o primeiro país a se livrar do petróleo, a energia alternativa.

MILIONÁRIOS
Nos Estados Unidos, as pessoas que têm muito dinheiro pensam que é a chance de comprar a imortalidade.
A [Universidade] Duke teve várias doações de pessoas que queriam associar o nome delas a uma descoberta. E evidentemente que o governo americano foi muito esperto de criar uma legislação fiscal que ajuda.
Aqui no Brasil a relação com dinheiro é outra. As pessoas ainda têm a ilusão de que levam com elas o dinheiro. A elite americana valoriza mais uma educação de alto nível.

BUROCRACIA
É muito mais fácil eu doar dinheiro para a Duke do que para a USP. Se eu quiser hoje pôr o nome da minha avó no anfiteatro da Faculdade de Medicina, provavelmente morro antes de conseguir – e o nome dela nem é tão longo. Quando cheguei aqui no Brasil para criar nosso projeto [o Instituto Internacional de Neurociência de Natal], eu contei: foram 65 assinaturas para provar que eu existia.
Quando era aluno da USP, era impossível importar um anticorpo, um insumo. Melhorou muito, mas ainda não é o que um cientista num laboratório de ponta desejaria ter.

OURO DO PENTÁGONO
[Ao ser questionado sobre receber dinheiro do Departamento de Defesa americano.] O que eles me pediram foi para criarmos uma forma de, em 30 anos, fazer os veteranos de guerra paralisados voltarem a andar. E estamos chegando lá.
O Sidney Simon, que é meu grande amigo americano, falou: “Dinheiro é dinheiro”. Não me meto. Dou uma palestra, mostro o que sei fazer, aí entram dez advogados e eles sentam com quem quer doar.

DEUS
Deus, na minha opinião de palmeirense -você acredita se quiser-, é uma necessidade que todos nós temos de explicar de onde viemos. Aparentemente existe uma necessidade do nosso cérebro de contar uma história. Acho que o cérebro é um grande simulador, ele simula a realidade completa, toda a história da nossa vida. E essa história tem que ter um começo, ela tem que ter uma explicação lógica de onde nós viemos. Nesse domínio vem a noção de Deus, a religião.

O CÉREBRO UNIFICADO
Nós vamos publicar daqui a poucas semanas registros do córtex visual em que 12% das células respondem à informação tátil e vice-versa.
Faz cem anos que essa ideia [de que o cérebro se divide em "casinhas", cada uma com uma função] se cristalizou. Nós estamos à beira de demonstrar que isso é balela. A função, no cérebro, não é determinada geograficamente. Ela é determinada de acordo com as demandas da tarefa que se impõe ao cérebro.
Então, se uma pessoa perde a visão e ela tem que navegar pelo mundo sem o sistema visual, ela remapeia o atributo táctil por todo o córtex, inclusive o visual. Nós estamos abandonando essa ideia de que o cérebro é um grande mosaico e partindo para noção de que o cérebro é uma grande democracia.

PARKINSON
[Sobre o tratamento contra Parkinson com estimulação elétrica desenvolvido por sua equipe na Duke.] Quando começamos a olhar para animais [camundongos] que desenvolviam um Parkinson muito violento e muito rápido, tudo levava a crer que a atividade do cérebro parecia uma crise epiléptica. Então falamos “isso é uma crise epiléptica, vamos tratá-la como se fosse uma”. As vantagens de estimular atrás da medula espinhal são várias: é mais seguro, muito mais fácil, muito mais barato. Mas a grande vantagem, do ponto de vista teórico, é que muda a forma de olhar para o cérebro. Ao invés de tentar tratar um lugarzinho, que era o que a teoria anterior achava, você está tratando o circuito inteiro. Do ponto de vista filosófico, isso é uma mudança radical. Já temos os modelos para primatas prontos e nós vamos fazer boa parte desses estudos lá em Natal. Espero que, se os resultados em macacos forem tão bons quanto eles foram nos roedores, no ano que vem a gente começa a fazer esses estudos em humanos.

CORPO MECÂNICO
O pensamento nada mais é do que uma onda elétrica pequenininha, se espalhando pelo cérebro, numa escala de tempo de milissegundos. O que fizemos [com primatas] foi descobrir que é possível ler esses sinais e extrair deles comandos motores capazes de reproduzir num braço mecânico ou numa perna robótica a intenção motora daquele cérebro.

TELECINESIA
E nós fechamos o circuito: o macaco usou sinais do córtex motor para controlar a prótese e a prótese [usando sensores, quando o pé atinge o chão] mandou informação de volta sem usar o corpo para nada. O cérebro se libertou do corpo de vez. Isso quer dizer que, a longo prazo, nosso alcance como humanos vai mudar completamente. Você vai ter a chance de atuar voluntariamente em um ambiente a milhares de quilômetros da sua presença física.
No futuro, em muito menos de 30 anos, você vai conseguir ter a sua presença à distância. A Agência Espacial Europeia analisou nossos trabalhos e concluiu que não tem sentido mandar humanos para Marte. Nós vamos de qualquer jeito, manda algo que nos represente pelos nossos pensamentos.

UNIVERSIDADES
Se estivesse na situação de um jovem hoje, pensaria muito antes de ir para a universidade. Ela precisa mudar demais, se reestruturar tremendamente.
As divisões são do século 19, elas têm muito pouco a ver com a realidade. Precisamos criar mecanismos para acelerar e desburocratizar o processo de formação de cientistas. No mundo inteiro.

LULA E PT
Eu não me rotularia um petista, me rotularia um humanista [ao ser perguntado se seu petismo arrefeceu]. E eu e mais 80% da sociedade brasileira acreditamos que o atual governo teve avanços fundamentais.

CIÊNCIA “DO MAL”
A ciência transformou-se em uma coisa misteriosa. Sempre que fazia uma palestra, a primeira pergunta era: “E se isso for usado para o mal?”. Vejo na imprensa no mundo inteiro esse afã de “e se fizer um gene desses errado, vai surgir um Frankenstein que vai destruir a raça humana”. Pode? Pode.
Mas tudo pode. O Palmeiras pode ganhar o título neste ano.
Mas as chances são remotas.


NA INTERNET
VEJA A SABATINA COM MIGUEL NICOLELIS NA FOLHA ON-LINE
www.folha.com.br/091601

Hammet

•Junho 10, 2009 • Deixe um comentário

Hammett

Quando entrei na faculdade achei em uma revista uma foto do Hammet. Na época não havia internet e a única forma de conseguir imagens era rasgando páginas de revistas ou de livros. Plastifiquei e colei na capa da minha agenda. Os colegas achavam que era meu avô e eu deixava assim (era esquisito explicar que ele era meu modelo de homem, até porque namorava, e depois constitui família, com um cabeludo que era clone do Robert Plant) . Nunca encontrei nenhum homem parecido com ele e não fui menos feliz por isso. Mesmo assim continuei lendo Hammett ao longo da juventude e madureza e recentemente mais, porque lançaram várias pequenas histórias dele em formato pocket. Comprei há uns dias The Thin man, na edição da Companhia das Letras, que editou também A chave de vidro, Seara vermelha e O Falcão Maltes. Hammet é uma boa diversão escapista e me agrada o fato dele ser tudo menos politicamente correto: o cidadão consegue escrever frases como ‘Mulher, cachorro e massa de pão quanto mais se bate melhor ficam’ e não ser nem um pouco machista, no essencial. 

Capa da edição de 1929

Capa da edição de 1929

 Hammett bebia muito e era durão e mulherengo. Era também um livre pensador que se recusava a passar recibo de suas convicções. Não gostava de maneirismos e sua postura era mais a esquerda do que a maior parte dos que se diziam comunistas nos círculos da intelligentsia das costas Leste e Oeste nas décadas de 30, 40 e 50.  Mesmo famoso, e com a saúde fraca, se alistou como soldado raso na segunda guerra e, anos depois, foi para a cadeia porque se recusou a apelar para a quinta emenda quando foi confrontado no Comitê de Atividades Antiamericanas. Na década de 80 saiu por aqui uma biografia muito boa dele, também pela Companhia das Letras, e quem quiser conhecer mais também pode ler os livros da Lilian Hellman (Pentimento, Uma mulher inacabada, Talvez e Caça as bruxas) .

dashiell-hammett-smoking-a-cigarette 

Pedro Páramo

•Junho 9, 2009 • Deixe um comentário

 

Rulfo 1Melhor do ano até agora foi ter relido Pedro Páramo, do Juan Rulfo. Li tarde Rulfo, só há uns oito anos, por indicação do amigo Paulo Bina, e é o presente que mais dou - é barato e mágico. Gosto muito de reler. Até pouco tempo tinha uma idiossincrasia: todo carnaval eu relia Ivanhoé do Walter Scott e Os três mosqueteiros do Dumas pai. Hoje costumo comprar sempre às vésperas da festa uns dois ou três grossos e inofensivos -  com a idade fui ficando dissipada. Não são todos os livros que provocam o fenômeno de parecerem outros quando os relemos. Os livros de Dumas, de Dickens e os de Fitzgerald e Hemingway  (não há quem me faça deixar de gostar da geração perdida) são sempre deliciosos porque são sempre os mesmos. Mas existem outros (Emily Bronte, Borges, Thomas Hardy, Conrand, Tolstoi) que lidos ao longo da vida sempre parecem novos: as linhas gerais da  história se mantém, mas é como se atrás do livro houvesse outro, outro cheiro, outros cenários, outras almas. Motivações que nos escapavam, um quadro atrás da pintura que descasca. A primeira vez que li Pedro Páramo o vi como um sonho, ou uma jornada, na qual o protagonista Juan Preciado por algum sortilégio passou a se comunicar com almas do outro mundo; para mim esse mundo era a tragédia do povo mexicano, ou do nordestino, e mesmo depois de me adiantar na história essa ’sensação’ persistiu. Ao ficar com ele de novo a tragédia de Juan e das entidades que iluminam sua história cedeu lugar à de Páramo. A imagem que fica não é a da neblina em casas de adobe e nem a da desorientação de quem (Preciado, as mulheres e homens com quem se encontra) tenta desenhar nela um passado – que não pode ser figurado pois sempre careceu de um ‘presente’. O que ficou na última página foi a visão de  uma varanda encharcada de sol, com um homem só, sentado em uma velha cadeira. Alguém que apesar de ter raptado o presente, o passado e o futuro de todos a sua volta encontra-se vazio de tudo, pois tudo o que desejava sempre lhe escapou.    

Rulfo 2

Fiquei sabendo depois que Rulfo era também fotógrafo, deixou um banco de imagens com mais de seis mil negativos. As duas fotos postadas são dele.

Pedro Páramo 1Pedro Páramo 2

Esquerda:Edição Bestbolso R$ 12,00

 

 

      Direita: Edição Paz e Terra – R$ 7,00

Ufa!

•Junho 5, 2009 • Deixe um comentário
Meu neném acordando no sábado, depois da pressão da semana.

Meu neném acordando no sábado, depois da pressão da semana.

Quem nasce Caeté, morre Caeté

•Maio 30, 2009 • Deixe um comentário

 

010ALGU11996A frase é de minha mãe, Lúcia Guiomar. Caetés eram os índios que moravam no pedaço de terra e água mais belo do mundo, a costa do que hoje se chama Alagoas. Mar com lagoa, água salobra, lagoa colando com rio e com lagoa e restinga e com o mar de arrecifes; sururu,mandioca, peixe, cheiro de maresia e de cana com resina de manga e caju e jaqueira. Se aliaram aos holandeses e foram todos mortos. Mas ancestralidade é coisa séria, para quem assim acredita. 

010ALGU13950

O Guerreiro é um folguedo natalino da região litorânea e da Mata de Alagoas. Mistura de Reisado, com Pastoril, Bumba meu Boi…  Quando menina, e depois, caloura na faculdade, ia muito a Bebedouro – um bairro esquecido que lembra o espírito da Cidade Baixa de Salvador. Bebedouro começa no fim ou no começo do Centro de Maceió – em Maceió o fim, o começo e o meio do Centro são bem pequenos. Começa aí e logo, margeando a lagoa e o trilho do trem,  a gente vê de um lado redes penduradas, do outro, casebres e logo ali um castelo e mais outro e uma pracinha com igreja. (Bebedouro termina na Chã da Jaqueira; se a gente andar mais dá em Fernão Velho, um distrito com cara de cidade criada pelo Juan Rulfo). Os castelos se tornaram casas de saúde psiquiátricas, o que me dava uma mistura de medo com desejo quando era pequena. (A esposa de um psiquiátra louco de amor sumiu misteriosamente; o médico se isolou no seu castelo-sanatório e todo mundo se benzia quando passava pelo lugar). Outro casarão foi de uma tia-bisavó. Nele, minha babá dizia que havia uma botija que fora perdida por uma escrava ter soltado um nome feio [peste] quando estavam próximos das indicações do sonho que minha parente teve.

010ALGU11975

Em Bebedouro acho que ainda existe um grupo ativo de Guerreiro, o Treme Terra do Mestre Benon.  Eu ia ver no Natal; o Mateu, o Papa-Figo (que em Maceió é nome de bicho papão), os índios, rei e rainha; a dança, a luta de espadas – com um deles sempre se espojando pelo chão – e as embaixadas. Tinha também esquenta mulher, que é um trio formado por triângulo, zabumba e pífano.

010ALGU00117

010ALGU11982010ALGU00109

Essas fotos são do fotógrafo francês Marcel Gautherot e estão no acervo do Instituto Moreira Sales http://acervos.ims.uol.com.br/php/level.php?lang=pt&component=39&item=16. São de um grupo de Guerreiro e foram tiradas em Alagoas na década de 40 do século passado.

010ALGU11943

O museu de Antropologia Théo Brandão, da Universidade Federal de Alagoas, faz um trabalho bacana de preservação do acervo cultural do estado,  tem indumentárias, iconografia, material audiovisual. Lá tive meu segundo  ‘emprego’, pouco antes de vir morar em Salvador: era monitora de Antropologia na UFAL e Bruno, meu professor, conseguiu um trabalho meio período como guia dos estudantes de escolas estaduais.  O que eu mais gostava era de tirar o medo que os meninos tinham das estátuas de Exu (com chifres e pinto grande): ‘Não é diabo não, é uma entidade boazinha que ajuda quem acredita e fica levando recado de quem tá aqui pra quem morreu’. Uns acreditavam, a maioria ficava mais desconfiada ainda, mas todos davam um jeito de tocar nas imagens como quem pega em pão quente.

Na década de 90, um amigo de adolescência, Davi Nogueira Gato (caramba, como a gente se perde de tanta gente) arregaçou as mangas e juntou esforços para registrar a música e a poesia de mestres de Reisado e Guerreiro, tocadores de rabeca, pífanos e pandeiro, como Nelson da Rabeca e Mestra Virgínia. O selo Das Lagoas – A atual Música Popular Tradicional de Alagoas, fez, até onde sei, o primeiro e único registro dessa música que é feita para rezar e amar – porque em Alagoas quem tá perto de Deus nunca fica emburrado.  Abaixo uma amostra grátis de uma das faixas, um poutpourri de Nelson da Rabeca e de sua senhora Dona Benedita.

http://www.mediafire.com/file/ymzwg5oyhyy/18 poutpourri nelson da rabeca e dona benedita.wma

Chovendo na saudade

•Maio 26, 2009 • Deixe um comentário

kokekoko.com rain

It’s always you

Whenever it’s early twilight
I watch ’til a star breaks through
Funny, it’s not a star I see
It’s always you
Whenever I roam through roses
And lately I often do
Funny, it’s not a rose I touch
It’s always you
If a breeze, caresses me
It’s really you strolling by
If I hear, a melody
It’s merely the way you sigh
Wherever you are you’re near me
You dare me to be untrue
Funny, each time I fall in love
It’s always you

A música, com Chet Baker http://www.mediafire.com/?njtgjz2tngj

Desejos

•Maio 24, 2009 • Deixe um comentário

illuopa.blogspot.com

iluopa.blogspot.com2

Uma coisa que nunca tive foi um baralho de bichos. Também fiquei só no desejo do kit ‘Pequeno cientista’. Mas tive um telescópio, um caledoscópio, um globo e a coleção completa do Monteiro Lobato. Vi a imagem no blog Iluopa, que reúne gravuras pré-anos 80 de ilustradores alemães – cheguei lá pelo http://drawn.ca/.

Amigos imaginários: Cristopher Walken

•Maio 23, 2009 • 1 Comentário

Walken

Não esqueço a tristeza que me deu vê-lo naquele estado no Franco Atirador. Tão lindo jogando sinuca…  Abaixo, muito tempo depois em um vídeo do Fat Boy Slim.

http://www.youtube.com/watch?v=sMZwZiU0kKs

Lição de Tango

•Maio 8, 2009 • 1 Comentário

00-tangolessontango com bola

Vou fazer aulas de tango. Para celebrar, imagens e trecho do poema de Borges ‘Alguien le dice al tango’.

Tango que fuiste feliz, como yo también lo he sido, según me cuenta el recuerdo; el recuerdo fue el olvido. Desde ese ayer, ¡cuántas cosas a los dos nos han pasado! Las partidas y el pesar de amar y no ser amado. 

Sweet as bear meat

•Abril 25, 2009 • Deixe um comentário

john-coltrane

Não tive uma infância muito colorida e tentei não ser covarde. Por isso, quando adulta, achei que dava para pegar mais leve e evitei por um tempo livros, filmes e músicas que arrombassem a porta interna. Fiquei com a banda diversionista do meu gosto: sci-fi, filmes de pancadaria, boxe, basquete, futebol e novelas na TV, pouca música. Não dá para ficar na superfície pra sempre. Ano passado dessenterrei devagar Coltrane, por conta de um poster comprado. A questão é que  dependência cobra fatura e agora, ao invés de coragem para encarrar um ‘russo’ pela frente, fiquei chapada na dele. Recomendo para qualquer tipo de problema: hiperatividade, falta de atividade, alegria, tristeza, solidão, excesso de companhia, vai bem com tudo. (Como quase tudo que vale a pena na vida)  é preciso coragem pra chegar perto do urso e provar.

Abaixo Blue in green, de Kind of Blue (com Miles e Bil Evans), e a música que dá título ao post,  do disco Complete Studio Sessions with Johnny Hodges.

Blue in green http://www.mediafire.com/?dklgjatzwnn

Sweet as bear meat http://www.mediafire.com/?mhjzytmmaun

Beleza

•Abril 4, 2009 • 1 Comentário

la_vague

Filho, olha a cara de promessa dela. É o pintor que falei, Bougereau. Muitos desdenham, mas eu gosto. Em especial desta tela aí embaixo: Dante e Virgílio muito curiosos com o que acontece no Inferno.

bodegas-blogspotwilliam-adolphe_bouguereau_1825-1905_-_dante_and_virgil_in_hell_1850

Este linque dá acesso a um banco de dados de pintura bem interessante. Nele dá para  conhecer outras telas de Bougereau http://www.artrenewal.org/asp/database/art.asp?aid=7

Este outro é sobre Dante Gabriel Rossetti; dá para ter acesso a seus textos e pinturas http://www.rossettiarchive.org/index.html

Emmylou

•Janeiro 27, 2009 • 1 Comentário

Eu vi adolescente um filme com a Sissy Spacek chamado, se não me engano, O destino mudou sua vida (título terrível, no original era, acho, Coal miners daugther) sobre uma cantora country, a Lorreta Lynn. A Sissy ganhou o Oscar e eu, que já gostava de country, passei um tempo meio fixada na coisa. Mas quem eu queria ser mesmo era a Emmylou Harris.

Por que não toco piano, nem cravo, nem órgão

•Novembro 9, 2008 • Deixe um comentário

 bach-sonatai 

Em minha casa havia uma discoteca clássica. Minha avó materna, uma princesa de antigamente, era uma grande pianista. Interpretava Chopin como se estivesse contando seus males de amor – que foram muitos. Para mim, todas as peças dele são narrativas, momentos condensados de suas dores. Mesmo que insistam no caráter político-revolucionário de sua obra, o tema único foi o amor – sua sombra pintada na escala do branco ao negro e sua mania explodindo na cartela do que não permanece. A Valsa em Lá menor, minha preferida, é uma conversa de alguém que narra seu delírio. Delírio porque está na cara que o cara tá se iludindo. Ele começa desolado e vai falando sobre como a mulher acabou com a vida dele e agora seus dias são desertos e aí se empolga de repente e diz que ela talvez volte e então eles vão passear novamente e tomar sorvete. Mas talvez não seja assim e, mesmo juntos novamente, ela torne a atormentar seus dias, o ciúme, as traições, o horror…  Na Balada em Sol menor, o cara está irremediavelmente perdido e a ponto de se matar ou matar a desgraçada. Chopin é um compêndio.

Bom, havia também uma coleção da Abril que, além dos discos, contava a história dos compositores; e um piano. Eu me via como uma heroína romântica tocando a Poloneise. Eu tinha uns oito anos e lia que Bach ficou cego e suas partituras acabaram enrolando peixes; Bethoven ficou surdo e tinha cara de louco; Mozart morreu jovem e miserável; e Tchaikovsky então? Se atirando nas águas geladas de um rio da Rússia – minha mãe me falou que ele era homosexual e por isso havia se matado, imagine a dor. Pra completar eu era louca pelo Tyrone Power porque havia visto Sangue e Areia e, claro, Melodia Imortal; nem aquela cena linda dele na guerra tocando o ‘Bife’ com um menininho e nem o amor da Kim Novack tiram a tristeza do filme: o pianista era brilhante, digno, bonito e acaba tendo uma doença grave e morre. Lógico que eu relacionei o pathos da música clássica à tragédia e desisti de aprender piano, ou órgão (eu era louca por Bach também). Resultado: hoje eu fico só ouvindo. Mas só quando estou feliz, porque quando não estou eu vejo novela.

Algumas de minhas preferidas, a única que me deixa mais alegrinha é Tannhauser.

 Chopin http://www.mediafire.com/file/bzmtzjkm5t3/02 – Waltz Op. 34 No. 2 in a Minor.mp3

Chopin http://www.mediafire.com/file/yv2ozfwywy5/13 – Ballade Op. in G Minor.mp3

Mascagni http://www.mediafire.com/file/jit4yznm5yw/22 Intermezzo de ‘Cavaleria Rusticana’.mp3

Bach http://www.mediafire.com/file/my2m5nktyyz/Bach – Arioso  Cantata 156 (Cello – Piano).mp3

Bach http://www.mediafire.com/file/mytozjyzjkj/Bach – Cello Suite No. 1 Prelude.mp3

Wagner http://www.mediafire.com/file/zimmiitdntw/Wagner – Tannhauser Overture.mp3

Yoga

•Outubro 8, 2008 • 1 Comentário

Yoga pode não ser a pedra filosofal mas tenho me arranjado bem com ele. Asthanga ou Hatha, depois que se entende e se pratica com bom senso e seriedade, a idéia de você, um tapetinho e o mundo traz como bônus uma inusitada sensação de liberdade – como se a sua bagagem se limitasse a você.  Não virei uma yogachata, mas sinto que é uma obrigação (um agradecimento?) dar um toque para as pessoas. Quem se interessar não deve ficar assustado com as posturas, algumas parecem coisa do Cirque du Soleil; o mais bacana é a sensação de controle do corpo, fazer coisas que havíamos esquecido de fazer desde criança, como se esticar, fazer ponte, bundacanástica, quem sabe escalar. O efeito na cabeça e no espírito depende de cada um: não curei minha cachola ainda, mas tenho me divertido muito.  A idéia é cada um vai até onde pode. Como eu gosto de ashtanga (uma escola mais ‘punk’, em que os movimentos são encadeados) recomendo um site onde dá para visualizar todas as séries, com explicação das posturas e dos vinyasas   http://ashtangayoga.info/asana-vinyasa/index.html.