As Variações Goldberg

Ouvia Bach na infância. Ouvia os Concertos de Brandenburgo para melhorar o astral aos 20 anos, jovem mãe em Salvador deslocada de sua terra, amigos, estudo e trabalho. Até 2006 não havia escutado, no entanto, as Variações Goldberg. Passeando pela Benedito Calixto e apreciando as bancas de cd copiados, que ainda existiam na época, comprei um do Camaron de la Isla e o das Variações pelo Glenn Gould de um boliviano muito gente fina. Ontem, precisando descomprimir a mente, apertada por assuntos teológicos (do trabalho) e outros mais mundanos, passei o disco para o iTunes. Como dizem os que crêem: é um refrigério para a alma. Estou com muita preguiça de carregar para o Mediafire, por isso, compartilho um vídeo de quase 50 minutos do Gould executando a série completa – apesar da duração, carrega rapidinho. No vídeo, Gould interpreta as variações em sequência, mas elas são bem pequenininhas. Minhas preferidas são as variações  1 e 4 (o início dela lembra o Arioso da Cantata para cello e piano).

1974-2010 Marlene!

The Police, Jung e um monte de ‘terapeutas’ falam de sincronicidade. O fato é que a palavra resume essas coincidências que tornam um dia mais bacana que o anterior. Nos idos de 1974, apareceu lá em casa um vinil cuja capa perfeita era o rosto de Marlene Dietrich emoldurado por seus olhos, um colar de diamantes e uma gola de vison sobre um fundo anil (assim eu lembro dele).

Já conhecia Marlene por conta da minha fixação infantil por estrelas da década de 30 e 40 (mulheres). Mas, obviamente, aos oito anos nunca tinha visto nenhum filme dela. Lembro até hoje – e consigo cantarolar – algumas músicas: Lili Marlene, Jonhny, Falling in love again, La vie em rose… Esta última, que assovio compulsivamente, já me rendeu bons papos em padarias e banheiros de shoppings. Ou seja: como quase tudo que ocorre na infância tenho uma memória nítida das sensações e do prazer estético que as músicas e as fotos do disco me davam. Estes dias passou na TV Testemunha de acusação, de Billy Wilder, um dos filmes prediletos de minha avó paterna, com Marlene e o grande Charles Laughton, além do sempre profundamente sexual Tyrone Power. Não revi o filme, mas, talvez por ter registrado a efeméride, decidi retomar o blog com algo sobre o disco de Marlene e lá fui eu para o You Tube e o Google. Descobri que o disco foi gravado em uma apresentação em Londres, em 1954, na casa noturna Café de Paris. Como ela nasceu em 1901, tinha então 53 anos de aplomb. Resgatei ainda uma memória esquecida da apresentação dela antes do show feita por Noel Coward (na época eu não sabia quem era, mas lembro do deboche e da picardia que transpareciam no tom de sua voz; timming e descaração perfeitos). Peguei a set list do show/disco.
Side 1:
1. Introduction by Noel Coward
2. La Vie En Rose
3. The Boys in the Backroom
4. Lazy Afternoon
5. Lola
6. Look Me Over Closely
7. Das Lied ist Aus (Frag ‘Nicht Warum Ich Gehe)
Side 2:
1. No Love, No Nothin’
2. The Laziest Gal in Town
3. Jonny
4. Lili Marlene
5. Falling in Love Again

Pesquei ainda o vídeo com o texto do Coward e, de lambuja, um trecho de Morocco, filme em que ela contracena com Gary Cooper (em estado de perdição) – atentem, o filme é de 1930.

Bom, e a sincronicidade? Fica por conta de uma visita e carona do amigo Paulo Couto. Avesso à cinema (prefere novela, futebol e Tchecov) chegou no meu trabalho hoje todo empolgado falando de Testemunha de acusação – logo se decepcionou quando fiz cara de ‘já conheço’. Não se rendeu e engatou a descrição de O Proscrito e a dama (com Charles Bronson) que eu nunca tinha ouvido falar. No caminho pra casa – sem trânsito – o assunto foi cinema, música, amizade e Marlene. Pode não ser sincronicidade (sorry jungianos) mas que melhora o dia isso melhora.

Amigas imaginárias: Monica Vitti

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Myrna Loy

Myrna Loy 2

Minha avó paterna a adorava (acho que pela mistura de força e feminilidade) e eu adorava a foto na banheira abaixo, que está em um livro que ganhei dela: achava que a coisa mais glamourosa do mundo era um banho de pétalas.

Myrna Loy 1

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